domingo, 27 de julho de 2014

Síndrome da Dor Complexa Regional

A Síndrome da Dor Complexa Regional (SDCR) foi definida por Schutzer e Glossing como sendo uma resposta exagerada para a lesão de um membro, caracterizada por dor intensa e prolongada, distúrbios vasomotores, atraso na recuperação funcional e alterações tróficas dos tecidos vizinhos como a pele, pelos e dedos¹.
Existem dois tipos de SDRC:
  • Tipo I: Não está relacionada a lesão de um nervo, e a dor não acompanha a distribuição anatômica de um nervo periférico;
  • Tipo II: Embora tenha muitos sinais e sintomas em comum com o tipo I está relacionada a lesão de um nervo.
Embora a síndrome possa ocorrer em qualquer membro, a resposta ao tratamento é menor nos membros inferiores, o que levantou a questão de que talvez a entidade etiológica seja distinta nos membros inferiores¹.

SDRC em Membro Inferior

SRDC em Membro Superior com acometimento maior na mão

Normalmente a Síndrome acomete a região mais distal do membro tanto inferior quanto superior, ou seja as mãos e os pés, embora a SDRC que acometa apenas o joelho seja comum. O início pode ser insidioso após a fratura de um osso, no caso do membro superior principalmente do rádio, que pode levar a lesão de fibras do nervo mediano, ou após um procedimento cirúrgico como a artroscopia do joelho.
Existe uma controvérsia considerável se certos tipos de personalidade podem ser mais propensos ao desenvolvimento da SDRC como pessoas muito ansiosas, deprimidas e ou dependendes². De qualquer forma sabe-se que a dor é um fenômeno complexo que está associado a fenômenos físicos, emocionais e comportamentais, o quê talvez corrobore com a idéia de que pessoas mais depressivas sintam mais dor. A dor acima do normal que está presente na síndrome normalmente é incompreendida por médicos e fisioterapeutas.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas na maioria dos casos começam logo após a fratura, mas podem levar algumas semanas para se tornarem aparentes em alguns casos. Eles podem variar de paciente para paciente, mas normalmente são:
  • Dor exagerada e muito acima do normal em resposta a estímulos que normalmente não causem dor, como o toque leve;
  • Intolerância a estímulos sensoriais, como o toque do tecido da roupa e normalmente, grande aversão ao frio;
  • Edema que no início é macio, mas que com o passar do tempo se torna duro e impede, ou limita a amplitude de movimento normal;
  • Rigidez articular;
  • Alterações vasomotoras e pseudomotoras: pele muito quente e vermelha, ou fria e cianótica, pele brilhosa, seca e fina, alterações no crescimento e diâmetro dos pelos, tremor e distonia;
  • Osteoporose;

Diagnóstico da doença (Diagnóstico clínico ou médico)


O diagnóstico e normalmente clínico ao se observar os sinais e sintomas, e ao se excluir outras hipoteses diagnósticas, entretanto alguns exames podem ser usados pelo médico, tais como:

  • Radiografias;
  • Termografia;
  • Cintilografia óssea;
  • Eletromiografia de condução nervosa;
  • Tomografia.
Cabe ressaltar que a maioria dos médicos brasileiros não estão preparados para realizar o diagnóstico da síndrome e portanto se você conhece alguém que esteja sentindo pelo menos três desses sintomas uma conversa com um Ortopedista ou Fisiatra deva ser considerada. O tratamento inclui medicamentos, fisioterapia e em alguns casos acompanhamento psicológico. A Fisioterapia deve ser indicada em TODOS os casos de SRDC, em um próximo post tratarei do tratamento do fisioterapêutico. Cabe ressaltar que esse post é apenas informativo, não é consultório médico, nem farmácia. Sempre converse com seu médico caso esteja sentindo esses sintomas.

Bibliografia

  1. DOWD, G.S. E. et l. Complex regional pain syndrome with special emphasis on the knee. The Journal of Bone and Joint Surgery. VOL. 89-B, No. 3, MARCH 2007.
  2. BOSCHEINEN - MORRIN, Judith; DAVEY, Victoria; CONOLLY, Bruce. The Hand: Fundamentals of Therapy 2nd Edition. Reed Educational and Professional Publishing Ltd (1992).

Esclerose Lateral Amiotrófica

Principais sinais da Esclerose Lateral Amiotrófica encontrados por fisioterapeutas e suas respectivas áreas de degeneração.